Em setembro de 2021, a Taxa Selic ganhou mais uma vez espaço nos noticiários por ter subido de 5,25% para 6,25% – o quinto reajuste no ano.
Apesar de boa parte da população já ter ouvido falar dela, ela é pouco compreendida pelas pessoas. E é por isso que preparamos esse artigo, com tudo que você precisa saber sobre esse importante indicador econômico do mercado financeiro. Boa leitura!
O que é a taxa Selic?
De acordo com o Banco Central, Selic é sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Esse sistema é uma “infraestrutura do mercado financeiro administrada pelo BC” onde são “transacionados títulos públicos federais”.
Um pouco confuso, né? Vamos simplificar olhando para seu papel na sociedade, começando pelo Governo Federal.
Para fazer investimentos e pagar dívidas, ele arrecada impostos e solicita empréstimos, vendendo títulos do Tesouro Nacional. Esses títulos são certificados de dívida vendidos pelo próprio governo através do Selic. Quem comprar esse título, receberá o valor que emprestou de volta com juros em uma data específica.
A maioria desses títulos é comprada por bancos, obrigados a depositar uma parcela dos depósitos recebidos no final do dia em uma conta no Banco Central. Dessa forma ele controla a quantidade de dinheiro em circulação, assim como a inflação.
Mas se os clientes de uma instituição financeira realizaram mais saques que depósitos, o caixa pode acabar menor que o exigido. Nessas situações, os bancos então pegam empréstimos com duração de 24 horas com outras instituições financeiras, usando os títulos do Tesouro Nacional como garantia.
Na hora de devolver esse valor, pagam juros que serão calculados com base na taxa Selic, que também influenciará tarifas como:
- Cheque especial
- Empréstimos pessoais
- Financiamentos imobiliários
- Entre outros
Vale saber também que a taxa Selic é dividida em duas categorias que possuem propósitos diferentes, a Selic Meta e a Selic Over.
Selic Meta
Se você já ouviu falar em Selic, você já ouviu falar em Selic Meta. Isso porque essa é a taxa muitas vezes citada em grandes veículos de notícias.
A cada 45 dias ela é definida na reunião do Comitê de Política Monetária do BC (Copom), que avalia a necessidade de aumentar, diminuir ou manter a taxa básica de juros considerando uma série de fatores, como a política econômica nacional e as crises que podem afetar o Brasil.
Selic Over
Já a Selic Over é a média dos juros cobrados em todas as transações financeiras realizadas pelo Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Ou seja, todas as transações feitas entre bancos no Sistema, utilizando Títulos Públicos.
Como funciona a Taxa Selic?
Ainda não entendeu exatamente o que é a Taxa Selic? Nem por que o Banco Central está aumentando a Selic?
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a taxa atual de desemprego no Brasil é de 13,7%. Já a inflação prevista para o ano é de 7,58%.
Com números altos como esses, há duas grandes preocupações: que as pessoas não consigam honrar com seus compromissos e pagar seus empréstimos e que não consigam se manter diante do aumento expressivo do custo de vida no país.
Para evitar a concretização desse cenário, os bancos aumentam a taxa de juros para dificultar o acesso ao crédito e frear o consumo. Com a diminuição da demanda, a tendência é que os preços diminuam, a inflação seja controlada e a economia se equilibre.
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Qual o impacto da Selic no meu bolso?
Como a Selic é a taxa básica da nossa economia, ela serve como referência para o cálculo da maioria dos juros e impacta a nossa rotina de diferentes maneiras. Olha só:
Impacto no crédito
Como a taxa Selic é uma referência para as linhas de crédito, suas alterações têm reflexos no bolso dos consumidores. Quando a taxa Selic aumenta, como aconteceu no mês de setembro de 2021, os bancos provavelmente cobrarão juros mais altos, fazendo com que os empréstimos fiquem mais caros.
Já em uma queda da Selic, os juros também caem e o empréstimo fica “mais barato”.
Impacto nos investimentos
Se você é fã de investimentos de renda fixa, como Tesouro Direto, CDBs, debêntures, LCIs e LCAs, o crescimento da Taxa Selic é uma boa notícia.
Todos esses investimentos costumam ter uma rentabilidade maior quando há uma alta na Selic. E em uma possível queda da Selic, seu retorno financeiro também diminui.
Isso porque sua rentabilidade se baseia ou na própria Selic ou em outra taxa, o CDI. Mais uma vez, nós olhamos para os bancos para compreender essa terminologia.
Quando os bancos fazem os empréstimos interbancários para terminar o dia com um saldo positivo, eles podem usar títulos públicos ou emitir CDIs (Certificado de Depósito Interbancário), que são títulos dos próprios bancos com vencimento de um dia útil.
E para essas transações, a taxa Selic é a grande referência nas negociações. Ou seja, a Selic e o CDI estão sempre caminhando juntos.
Como investir com a Selic em alta?
Como já dissemos, a Taxa Selic está em alta – e com a expectativa de seguir crescendo no próximo ano. Por isso, se você está pensando nos seus investimentos, esse pode ser um ótimo momento para começar a olhar com mais cuidado para a Renda Fixa.
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Imagine, por exemplo, um CDB (que pode ser descrito como um “empréstimo” a um banco). A taxa oferecida em aplicações desse tipo sofre a influência do aumento ou da redução da Selic, referência para o sistema financeiro como um todo. Ainda melhor é o Tesouro Direto Selic, cuja remuneração é a própria taxa Selic com a adição de um percentual predefinido.
Se você está confuso e precisa de ajuda para entender como investir melhor com a Selic em alta, nós estamos aqui para isso! Fale com a gente e entenda como podemos te ajudar a alcançar seus objetivos e ter uma vida financeira mais saudável.
